Texto Áureo: “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.” (1Jo 4.9).
Leitura Bíblica em Classe: João
3.16,17; 1 João 4.9,10; Gálatas 4.4-6.
Introdução: O
plano eterno da Redenção não é apenas uma estratégia de resgate, mas a maior
revelação do coração do Pai, que envia o Seu Filho para reconciliar consigo o
mundo. Esta verdade gloriosa manifesta a essência do amor divino e reafirma a
unidade indivisível da Santíssima Trindade na missão de salvar o homem. Nesta aula,
estudaremos o mistério do envio do Filho Unigênito para compreendermos a
suprema e sacrificial expressão do amor de Deus; a precisão profética no
cumprimento da plenitude dos tempos; e a cooperação perfeita entre o Pai, o
Filho e o Espírito Santo no planejamento da nossa salvação.
1. A REDENÇÃO ORIGINADA NO GRANDE AMOR DE
DEUS.
João 3.16 — Porque Deus amou o mundo de tal maneira que
deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas
tenha a vida eterna. João 3.17 — Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não
para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
A redenção tem sua origem no
imenso e incompreensível amor de Deus. João 3.16–17 revela que a iniciativa da
salvação não partiu do ser humano, mas do próprio Deus, que, movido por amor,
tomou a decisão de agir em favor de um mundo perdido. Ao observarmos
atentamente os pares de palavras do versículo 16, percebemos verdades profundas
sobre o plano divino da salvação.
“Deus – e Filho” nos mostram a
fonte e o custo da redenção. O Deus eterno entrega aquilo que Lhe é mais
precioso: o Seu Filho unigênito. “Amou – e deu” revelam que o amor de Deus não
é meramente um sentimento, mas um amor ativo, sacrificial, que se expressa em
entrega. “Mundo – e todo” indicam a abrangência desse amor: ele não se limita a
um povo ou grupo específico, mas alcança toda a humanidade, sem distinção. “Crê
– e tenha” destacam a resposta humana necessária e o resultado prometido: a fé
em Cristo conduz à posse da vida eterna. Por fim, “não pereça, mas tenha vida”
colocam diante de nós o contraste decisivo entre perdição e salvação, morte
eterna e vida plena em Deus.
O versículo 17 esclarece que o
propósito da vinda de Cristo não foi a condenação, mas a salvação. Contudo, o
julgamento já está em andamento, não como um ato arbitrário de Deus, mas como
consequência da resposta humana à revelação recebida. O ponto crítico para cada
pessoa que já teve contato com o evangelho é sua atitude diante da luz que lhe
foi concedida. Ninguém permanece neutro diante de Cristo: aceitar ou rejeitar
essa luz define o destino eterno.
Os homens que praticam o mal
evitam a luz, assim como alguém com os olhos inflamados foge do sol, não porque
a luz seja má, mas porque revela a realidade que eles não desejam encarar. A
luz de Cristo expõe o pecado, confronta o coração e chama ao arrependimento.
Por isso, aqueles que amam as trevas preferem manter distância.
Entretanto, nenhum coração
sincero precisa temer a Cristo. Quem se aproxima dEle com humildade e verdade
descobre que esse movimento em direção ao Salvador já é obra da graça divina.
Mesmo sem perceber, é Deus quem guia o coração humano até o Filho. Aproximar-se
de Cristo é encontrar não condenação, mas vida, perdão e restauração, pois o
amor que originou a redenção continua operando naqueles que respondem à Sua
luz.
2. JESUS, A PROVA MANIFESTA DO GRANDE AMOR DE
DEUS
1 João 4.9 — Nisto se manifestou o amor de Deus para
conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele
vivamos. 1 João 4.10 — Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus,
mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos
pecados.
m seu poder sedutor. Aquilo que
antes parecia essencial torna-se secundário, pois o amor de Deus satisfaz
profundamente a alma e redefine nossos valores, desejos e prioridades.
O texto nos ensina que existe
apenas uma fonte de amor puro, verdadeiro e divino: o próprio Deus. Qualquer
manifestação genuína desse amor no mundo aponta para Ele. Onde quer que vejamos
um amor que perdoa, que se sacrifica, que busca o bem do outro sem exigir
retorno, ali podemos reconhecer o reflexo do amor divino. Quem ama dessa
maneira já encontrou a fonte desse amor em Deus, pois o ser humano, por si
mesmo, é incapaz de produzi-lo em sua plenitude.
O amor de Deus é completamente
desinteressado. Ele não ama porque encontra algo digno no ser humano, mas ama
para torná-lo digno. “Não fomos nós que amamos a Deus, mas Ele nos amou” — essa
afirmação destrói qualquer pretensão de mérito humano. Deus ama aqueles que não
O amam, não para deixá-los como estão, mas para transformá-los. Seu amor remove
o pecado por meio da expiação realizada em Cristo e, ao mesmo tempo, aperfeiçoa
a união do ser humano com Ele.
Esse amor redentor não apenas
perdoa, mas restaura o relacionamento quebrado entre Deus e o homem. Ele nos
chama a viver em comunhão com o Pai e a refletir esse mesmo amor em nossa
relação com o próximo. Assim, vencer o mundo não é fugir dele, mas viver nele
como alguém que foi alcançado, transformado e sustentado pelo amor que tem sua
origem eterna em Deus.
3. TEMOS QUE VIVER COMO FILHOS NÃO COMO
ESCRAVOS.
Gálatas 4.4 — mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus
enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, Gálatas 4.5 — para
remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. Gálatas
4.6 — E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu
Filho, que clama: Aba, Pai.
Gálatas 4.4–6 nos conduz ao
coração do evangelho ao revelar a transição da escravidão para a filiação.
Paulo reconhece que a legislação mosaica, em si mesma, é santa, justa e
elevada, pois foi dada por Deus com um propósito específico na história da redenção.
Contudo, quando apresentada como meio de salvação ou condição básica para a
aceitação diante de Deus, ela se torna um sistema ultrapassado, pertencente a
uma era anterior ao cumprimento das promessas divinas em Cristo. A lei teve seu
papel pedagógico, preparando o caminho para o Salvador, mas não foi destinada a
ser o fundamento da vida cristã.
O envio do Filho, “nascido de
mulher, nascido sob a lei”, revela o propósito integral de Deus: resgatar
aqueles que estavam sob o domínio da lei para que recebessem a adoção de
filhos. Cristo entrou plenamente na condição humana e submeteu-se à lei para libertar-nos
de sua condenação e de seu jugo, abrindo-nos o caminho para uma relação viva,
íntima e amorosa com o Pai. A salvação não nos conduz a um sistema de regras,
mas a um lar; não a uma condição de servidão, mas à alegria da família de Deus.
Em Cristo, não somos mais
meninos de menor idade, tutelados como herdeiros incapazes, nem escravos que
obedecem por medo. Somos filhos, e, se filhos, também herdeiros de Deus. Essa
nova identidade redefine completamente nossa maneira de viver, orar e servir. O
Espírito do Filho foi enviado aos nossos corações e clama “Aba, Pai”,
testemunhando que nossa relação com Deus é marcada pela confiança, proximidade
e amor, e não pelo temor.
Entretanto, muitos cristãos
professos, embora teologicamente afirmem essa verdade, vivem como se ainda
estivessem sob condenação, revelando um sentimento constante de fracasso e
insegurança. Tal atitude não se harmoniza com a posição que possuímos em Cristo.
A vida cristã não deve ser marcada por ansiedade excessiva ou medo de rejeição,
mas pela segurança de quem habita na casa do Pai.
Somos chamados a viver com o
coração livre, lembrando-nos de que estamos debaixo do mesmo teto que Cristo e
temos pleno acesso à graça, ao cuidado e ao auxílio divinos. Nada do que
enfrentamos é alheio ao conhecimento do Pai, e nenhuma necessidade excede os
recursos de Sua graça. Por isso, não devemos rejeitar as tarefas que Deus
coloca diante de nós, mesmo quando parecem cansativas ou pouco atraentes. Como
filhos, servimos não para conquistar aceitação, mas porque já somos aceitos.
Da mesma forma, não devemos
permitir que regulamentos maçantes ou irritações sem importância roubem nossa
alegria espiritual. A vida na casa do Pai não é uma prisão legalista, mas um
ambiente de amor, crescimento e maturidade. Viver como filhos é desfrutar da
liberdade responsável, da obediência motivada pelo amor e da certeza de que
pertencemos a Deus agora e para sempre.
Conclusão: À luz dos três
textos — João 3.16–17, I João 4.9–10 e Gálatas 4.4–6 — somos conduzidos a uma
visão completa e harmoniosa do plano redentor de Deus. A redenção nasce no amor
eterno do Pai, manifesta-se no envio sacrificial do Filho e se concretiza na
vida transformada daqueles que passam da condição de escravos para a de filhos.
Em João 3, aprendemos que a
iniciativa da salvação pertence inteiramente a Deus. Seu amor não apenas
declara, mas age: Ele dá o Filho para que todo o que crê não pereça, mas tenha
a vida eterna. A resposta humana à luz de Cristo revela o julgamento que já
está em curso, pois ninguém permanece neutro diante do evangelho. Quem se
aproxima da luz encontra vida; quem a rejeita permanece nas trevas. Ainda
assim, todo coração sincero descobre que sua aproximação de Cristo é, na
verdade, obra do próprio Deus que o conduz.
Em I João 4, contemplamos a
prova concreta desse amor. Deus nos amou quando ainda não O amávamos e enviou
Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. Esse amor é a única fonte do
amor verdadeiro e puro, capaz de libertar-nos do fascínio do mundo. Quando
Cristo habita em nós, os valores do mundo perdem sua força, e passamos a viver
a partir de uma nova fonte, marcada pelo amor desinteressado, restaurador e
transformador de Deus.
Em Gálatas 4, vemos o resultado
final dessa obra: não apenas somos perdoados, mas adotados. O amor que nos
salvou também nos inseriu na família de Deus. Já não vivemos sob o jugo da lei,
do medo ou da insegurança, mas na liberdade e alegria da casa do Pai. Como
filhos e herdeiros, somos chamados a viver com o coração livre, confiantes no
cuidado divino e disponíveis para servir, não para conquistar aceitação, mas
porque já pertencemos a Deus.
Assim, o amor que nos alcança
em Cristo, que nos liberta do pecado e do mundo, é o mesmo amor que nos
assegura nossa identidade de filhos. Vivemos, portanto, não como escravos
ansiosos, mas como filhos amados, firmados na graça, caminhando na luz e desfrutando
plenamente da comunhão com o Pai.
Pastor Adilson Guilhermel
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