LIÇÃO 01 - 0 MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

Texto Áureo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mt 3.17).

Leitura Bíblica em Classe: Mateus 3.13-17.

 

Introdução:  A Santíssima Trindade 

Quando pronunciamos a palavra Deus, estamos nos referindo ao único Deus que existe eternamente como Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Deus é um só em essência, mas subsiste em três Pessoas distintas, que não se confundem entre si, nem se dividem em partes.

Cada Pessoa da Trindade é plenamente Deus. Assim, podemos nos dirigir a Deus Pai, a Deus Filho e a Deus Espírito Santo, reconhecendo que não são três deuses, mas um único Deus verdadeiro. As Pessoas da Trindade atuam de maneira distinta, porém sempre em perfeita unidade, realizando a mesma vontade divina.

Dessa forma, a Trindade revela a comunhão perfeita de Deus em si mesmo e a harmonia de sua atuação na criação, na redenção e na santificação.


1. O Conflito da Humildade: João e a Autoconsciência

Mateus 3.13 — Então, veio Jesus da Galileia ter com João junto do Jordão, para ser batizado por ele. Mateus 3.14 — Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?

João Batista era o "maior entre os nascidos de mulher", mas sua grandeza residia justamente em sua capacidade de enxergar a própria pequenez diante da Glória.

A visão espiritual de João não viu apenas um homem; ele discerniu a santidade ontológica de Cristo. Seus "olhos penetrantes", acostumados a desmascarar a hipocrisia dos fariseus, ficaram ofuscados pela ausência total de trevas em Jesus.

A inversão de papeis: O pedido de João ("Eu preciso ser batizado por ti") revela que ele compreendia que o batismo de arrependimento era para os enfermos da alma. Ao ver o Médico vindo ao encontro do paciente para receber o "remédio", João recua em reverência.

Ao aproximar-se de João para ser batizado, Jesus se insere deliberadamente no meio dos pecadores, não por necessidade pessoal, mas por missão redentora. João Batista, cuja pregação era marcada pela denúncia vigorosa do pecado e pelo chamado ao arrependimento, demonstrava, contudo, profunda consciência de sua própria condição humana. Diante de Cristo, seus olhos espiritualmente aguçados não encontraram qualquer sombra de impureza. Por isso, tomado de santa reverência e humildade, João relutou, considerando inconcebível que mãos marcadas pela fraqueza humana tocassem Aquele em quem ele discernia perfeita santidade. Sua resistência não era rebeldia, mas fruto de uma percepção espiritual correta: ele reconhecia que o Santo de Deus não precisava de arrependimento.

2. A Impecabilidade de Cristo: O Cordeiro Esquadrinhado

Mateus 3.15 — Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o permitiu.

A Identificação Solidária: "Cumprir Toda a Justiça"

Por que o Puro se submeteu ao batismo dos impuros? A resposta reside na substituição.

O Lado do Pecador: Ao descer às águas do Jordão, Jesus não estava lavando Seus pecados (que não existiam), mas santificando as águas e se colocando na fila dos pecadores. Ele "assinou embaixo" da dívida da humanidade.

O Ponto de Partida do Ministério: O batismo não foi o início de Sua santidade, mas a inauguração pública de Sua missão como o Substituto. Ele se identificou com a nossa queda para que pudéssemos nos identificar com Sua ascensão.

O Senhor, por sua vez, não refutou a lógica de João, pelo contrário, admitiu a justeza de seu argumento, mas a transcendeu. Jesus era, de fato, o único entre todos os homens que não possuía consciência de pecado. Conforme afirma o apóstolo Pedro, “ele não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca” (1Pe 2.22). Como o Cordeiro de Deus, previamente designado para tirar o pecado do mundo, sua vida foi cuidadosamente examinada. Mesmo aqueles que o acusaram, o interrogaram ou o julgaram, acabaram, consciente ou inconscientemente, testemunhando sua inocência e pureza.

Ainda assim, Cristo se submeteu ao batismo. Esse ato não foi um reconhecimento de culpa pessoal, mas um gesto profundamente vicário e solidário. Ao ser batizado, Jesus assumiu simbolicamente a culpa do pecador, colocando-se ao seu lado e a seu favor. Ele se identificou plenamente com a humanidade caída, antecipando, já naquele momento, a obra substitutiva que se consumaria na cruz. O batismo, portanto, inaugura publicamente seu ministério messiânico e aponta para sua missão de redenção.

3. A Unção e a Aprovação Trinitária no Batismo de Jesus

Mateus 3.16 — E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. Mateus 3.17 — E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.

 

O batismo marca a epifania da Trindade: o Filho na água, o Espírito como pomba e a voz do Pai.

A Unção para o Serviço: Assim como os reis e sacerdotes eram ungidos com óleo, Jesus foi ungido com o Espírito Santo para exercer Seu ofício messiânico.

Nesse contexto, ocorre a unção do Espírito Santo, que desce sobre ele como pomba, e o testemunho solene do Pai, que declara: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Trata-se de uma revelação trinitária singular, na qual o Filho é ungido, o Espírito se manifesta e o Pai autentica. É provável, conforme indica João 1.32, que apenas João Batista e o próprio Cristo tenham percebido plenamente o significado desses sinais celestiais.

Assim, o batismo de Jesus não apenas confirma sua identidade, mas também estabelece o padrão para aqueles que lhe pertencem. Como seguidores de Cristo, somos igualmente chamados a viver sob a unção do Espírito. A promessa se estende à Igreja: “Vós tendes a unção que vem do Santo” (1Jo 2.20), e essa unção permanece em nós (1Jo 2.27), capacitando-nos a viver em santidade, obediência e comunhão com Deus. Que, à semelhança de Cristo, possamos caminhar submissos à vontade do Pai, revestidos do Espírito e confirmados por uma vida que glorifique o seu nome.

 

Comentário para a Igreja: Expressemos um desejo vital: que tenhamos a "igual unção". Isso significa que, assim como o ministério de Jesus foi validado pelo Espírito e pelo Pai, a vida do cristão (conforme 1 Jo 2:20) possui uma unção que ensina, protege e capacita para uma vida de pureza e propósito.

A Igreja deve viver em humildade diante da santidade de Cristo

João Batista, mesmo sendo um profeta reconhecido, não se colocou em posição de superioridade diante de Jesus. Ao contrário, reconheceu sua própria insuficiência. A Igreja de hoje precisa recuperar essa postura: quanto mais próximo se está do Cristo santo, mais evidente se torna a necessidade de dependência e quebrantamento. Ministérios, títulos e dons jamais substituem uma consciência humilde diante da santidade do Senhor.

Fidelidade à missão não elimina a consciência do pecado

João denunciava o pecado alheio, mas não perdeu a consciência dos seus próprios limites. A Igreja é chamada a proclamar arrependimento e justiça, mas sem arrogância moral. Uma comunidade que confronta o pecado sem reconhecer sua própria necessidade de graça perde a autoridade espiritual. Verdade e humildade devem caminhar juntas.

Cristo se identifica com os pecadores: a Igreja deve fazer o mesmo

Jesus não se afastou dos pecadores para preservar sua reputação; ele se aproximou para redimi-los. A Igreja não pode se isolar do mundo nem assumir uma postura de superioridade espiritual. Ela é chamada a estar “ao lado” das pessoas, servindo, intercedendo e anunciando graça, sem negociar a verdade.

Obediência precede unção

Antes da manifestação visível do Espírito e da voz do Pai, houve um ato simples e profundo de obediência. A Igreja contemporânea muitas vezes busca poder e unção sem disposição para obedecer. O texto ensina que a verdadeira unção acompanha uma vida submissa à vontade de Deus, não o contrário.

A identidade da Igreja nasce da aprovação do Pai, não do reconhecimento humano

Jesus inicia seu ministério público ouvindo a declaração do Pai: “Este é o meu Filho amado”. A Igreja precisa lembrar que sua identidade e valor não vêm de números, influência ou aplausos, mas da aprovação divina. Uma Igreja segura em sua identidade serve com liberdade e fidelidade.

A ação do Espírito é central, não acessória

O Espírito Santo não aparece como um detalhe simbólico, mas como aquele que unge, confirma e capacita o Filho. Da mesma forma, a Igreja não pode funcionar apenas com estrutura, estratégia ou tradição. Sem a atuação contínua do Espírito, há atividade religiosa, mas não vida espiritual.

A Igreja vive sob a unção que permanece

Conforme 1 João 2.20,27, a unção recebida não é episódica, mas permanente. Isso ensina que a Igreja deve viver em comunhão contínua com o Espírito, discernindo a verdade, rejeitando o erro e permanecendo em Cristo. Não se trata de eventos extraordinários, mas de uma vida diária marcada pela presença do Espírito.

O batismo aponta para a cruz

Ao descer às águas, Jesus antecipa sua entrega total. A Igreja não pode perder o caráter sacrificial do discipulado. Seguir Cristo envolve identificação com sua cruz, serviço abnegado e disposição para sofrer por amor ao Reino.

Conclusão

O batismo de Jesus desafia a Igreja de hoje a ser humilde, obediente, cheia do Espírito e profundamente identificada com a missão redentora de Cristo. Onde essas marcas estão presentes, o testemunho do Pai continua ecoando, e o Reino de Deus se manifesta com poder e verdade.

 

Pastor Adilson Guilhermel


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