LIÇÃO 02 - O DEUS PAI
Texto Áureo: “Ninguém conhece o Pai, senão o
Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Mt 11.27c).
Leitura Bíblica em Classe: Mateus 11.25-27;
João 14.6-11.
Introdução: A doutrina da Trindade revela o Pai como a
fonte eterna da divindade, de quem procedem o Filho e o Espírito Santo. Nesta
lição, mergulharemos na identidade e na glória de Deus Pai, compreendendo que
Ele não é apenas um conceito teológico, mas o único Deus verdadeiro que age
soberanamente na história. Ao estudarmos Seus nomes, atributos e Sua revelação
plena em Cristo, seremos conduzidos além do conhecimento teórico, fortalecendo
nossa comunhão com Aquele que é a origem de todas as coisas. Nosso propósito é reconhecer
o Pai para que possamos, verdadeiramente, viver como Seus filhos.
1. A QUEDA DAS BARREIRAS INTELECTUAIS E
SOCIAIS.
Mateus 11.25 — Naquele tempo, respondendo
Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste
estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Mateus
11.26 — Sim, ó Pai, porque assim te aprouve.
Diante da rejeição persistente
por parte das cidades que testemunharam seus milagres e ouviram seus
ensinamentos, a reação de Jesus é surpreendente. Em vez de expressar amargura,
frustração ou condenação imediata, ele eleva sua voz em louvor ao Pai. Isso
revela a maturidade espiritual e a perfeita submissão do Filho à vontade
divina. Jesus compreende que, mesmo em meio à incredulidade humana, o plano
soberano de Deus continua em plena execução.
O louvor de Jesus reconhece que
o Pai ocultou o significado mais profundo de suas palavras e sinais àqueles que
se julgavam “sábios e instruídos”. Esses não são necessariamente ignorantes
intelectuais, mas pessoas que confiavam em sua própria capacidade de
discernimento, em seu status religioso ou em seu domínio da Lei. A
autossuficiência espiritual tornou-se um obstáculo à fé, fechando-lhes os olhos
para a revelação de Deus que estava diante deles.
Em contraste, Deus revelou
essas verdades aos “pequeninos” — expressão que descreve aqueles que se
aproximam de Deus com humildade, dependência e abertura de coração. São pessoas
conscientes de sua necessidade espiritual, dispostas a receber a verdade não
como quem a controla, mas como quem é transformado por ela. A revelação divina
não se baseia no mérito humano, mas na graça soberana de Deus, que se comunica
aos que se deixam ensinar.
Jesus afirma ainda que essa
forma de revelação não foi um erro nem uma contingência histórica: “sim, ó Pai,
porque assim te aprouve”. Aqui, o texto destaca a soberania divina. Deus age
segundo sua boa, perfeita e graciosa vontade. A revelação do Reino segue
critérios que transcendem os padrões humanos de valor, prestígio ou competência
intelectual.
A compreensão espiritual não é
determinada pela posição social, pela raça, pelo nível educacional ou pela
autoridade religiosa. Ela é uma dádiva de Deus, concedida àqueles que se
aproximam dele com fé e humildade. Isso nos desafia a examinar nosso próprio
coração: estamos confiando em nossos conhecimentos, títulos ou experiências
espirituais, ou estamos nos colocando diante de Deus como “pequeninos”,
dependentes de sua graça? Mesmo quando o
evangelho é rejeitado por muitos, Deus continua revelando sua verdade aos que
têm o coração aberto. Nossa tarefa não é tornar a mensagem aceitável aos
orgulhosos, mas anunciá-la fielmente, confiando que o próprio Deus concederá
entendimento àqueles a quem ele deseja revelar o Reino.
2. A RELAÇÃO ÚNICA E ETERNA ENTRE O PAI E O
FILHO.
Mateus 11.27 — Todas as coisas me foram
entregues por meu Pai; e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém
conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
Essa declaração de Jesus revela
a profundidade da relação única e eterna entre o Pai e o Filho. Ao afirmar que
todas as coisas lhe foram entregues pelo Pai, Jesus não fala apenas de
autoridade delegada em um sentido funcional, mas de uma comunhão plena, marcada
por confiança absoluta, unidade de propósito e igualdade de natureza. Trata-se
de uma afirmação que aponta diretamente para sua identidade divina e para seu
papel central no plano da redenção.
Essas palavras explicam o
conhecimento compartilhado entre o Pai e o Filho. Não existem, nem jamais
existiram, segredos entre eles. O conhecimento que o Pai possui do Filho é
perfeito, assim como o conhecimento que o Filho possui do Pai. Essa mútua compreensão
não é aprendida nem progressiva, mas eterna. Ela transcende qualquer relação
humana e revela o mistério da Trindade, na qual há distinção de pessoas sem
divisão de essência.
Ao declarar que ninguém conhece
o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho, Jesus exclui
qualquer possibilidade de acesso independente a Deus fora dessa relação
reveladora. O conhecimento verdadeiro de Deus não pode ser alcançado por esforço
intelectual, tradição religiosa ou observância externa da lei. Ele só é
possível por meio da revelação concedida pelo próprio Filho.
Por isso, Jesus é a única fonte
de toda revelação verdadeira. Ele não apenas comunica verdades sobre Deus; ele
é a própria revelação de Deus. Ver o Filho é conhecer o Pai, ouvir o Filho é
ouvir o Pai, receber o Filho é entrar em comunhão com o próprio Deus. Toda
tentativa de conhecer a Deus à parte de Cristo resulta em conhecimento
incompleto ou distorcido.
Esse ensino nos conduz à
adoração e à humildade. Se toda revelação procede do Filho, então dependemos
inteiramente de sua graça para conhecer a verdade. Somos chamados a nos
aproximar dele não como investigadores autônomos, mas como discípulos que
recebem, com fé e submissão, aquilo que ele escolhe revelar.
3. EM JESUS, O ABSTRATO SE TORNA CONCRETO; O
INFINITO SE TORNA TANGÍVEL.
João 14.6 — Disse-lhe Jesus: Eu sou o
caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.
João 14.7 — Se vós me conhecêsseis a mim,
também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis e o tendes visto.
Fica claro que os discípulos
não compreendiam plenamente o que Jesus queria dizer. Tomé expressa o óbvio ao
perguntar: “Nós não sabemos para onde vais; como, então, podemos saber o
caminho?” Assim como nós, os discípulos pensavam em termos deste mundo —
tempo e espaço. Portanto, o verbo vais foi entendido como uma mudança
física de um lugar para outro.
Jesus, porém, responde: “Eu
sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” Sua
resposta mostra que o destino não é um lugar físico, mas uma pessoa — o Pai — e
que o caminho para esse destino é outra pessoa — o Filho. Jesus é o Caminho
para o Pai; Jesus é a Verdade, isto é, a realidade e o cumprimento de todas as
promessas de Deus; e Jesus é a Vida, pois une a sua vida divina à nossa, tanto
agora quanto eternamente. Assim, Jesus é o caminho que conduz à verdade e à
vida.
A reivindicação exclusiva de
Jesus é inequívoca e obriga todo ser humano a dar uma resposta incondicional.
Ele convida cada pessoa a aceitá-lo ou rejeitá-lo, deixando claro que a
aceitação parcial equivale à rejeição. Sua autodescrição invalida quaisquer
planos alternativos de salvação. Alguns afirmam que a existência de um único
caminho é excessivamente restritiva. Contudo, essa atitude não leva em
consideração o estado desesperador da condição humana.
A existência de um caminho é,
na verdade, evidência da graça e do amor de Deus. A rebelião humana pode ser
ilustrada da seguinte forma: somos como pessoas que estão se afogando no mar,
às quais é lançada uma corda salva-vidas; ainda assim, alguns insistem que
merecem escolher entre várias cordas, além de reivindicar o direito de nadar em
busca da própria salvação, caso assim desejem.
3. CRISTO O PONTO DE ENCONTRO ENTRE O HOMEM E
A ETERNIDADE.
João 14.8 — Disse-lhe Filipe: Senhor,
mostra-nos o Pai, o que nos basta. João 14.9 — Disse-lhe Jesus: Estou há tanto
tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e
como dizes tu: Mostra-nos o Pai? João 14.10 — Não crês tu que eu estou no Pai e
que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo,
mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. João 14.11 — Crede-me que
estou no Pai, e o Pai, em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.
Deus, em Sua essência
espiritual, é transcendente e inacessível aos sentidos humanos. O pedido de
Filipe ("Mostra-nos o Pai") é o desejo mais profundo do coração
humano desde o Éden: contemplar a face de Deus.
Jesus responde não apontando
para o céu ou para uma visão mística, mas apontando para Si mesmo. Ele é a
"imagem visível do Deus invisível" (Ecoando o que Paulo diria mais
tarde em Colossenses 1:15). Em Jesus, o abstrato se torna concreto; o infinito
se torna tangível. Há uma nota de melancolia na resposta de Jesus: "Há
tanto tempo estou convosco, e não me tendes conhecido, Filipe?". Isso
revela que é possível estar fisicamente próximo de Jesus, ouvir Seus ensinos e
ver Seus milagres, e ainda assim não perceber Sua divindade. Conhecer a Deus
não é um acúmulo de informações religiosas, mas um reconhecimento espiritual da
identidade de Cristo. Se Jesus é a "completa revelação", não
precisamos procurar "pedaços" de Deus em outras filosofias ou
experiências místicas para complementar o que falta. Em Jesus, Deus não revelou
apenas parte do Seu caráter ou uma mensagem enviada por um mensageiro;
Ele revelou a Si mesmo.
Ao dizer que quem vê o Filho vê
o Pai, Jesus afirma uma unidade que vai além da semelhança. Não é que Jesus
"se parece" com Deus; é que as Suas mãos são as mãos de Deus curando,
a Sua voz é a voz de Deus perdoando, e o Seu sacrifício é o próprio Deus se
entregando pela humanidade.
Essa unidade vai além de
pensamentos e propósitos. Jesus não é um "embaixador" que recebeu
instruções de Deus; Ele é o próprio Deus agindo.
Quando Jesus fala, é o Pai quem
fala; quando Jesus age, é o Pai quem opera. Não há "espaço" ou
divergência entre a vontade do Filho e a do Pai.
Jesus diz que as suas palavras
não são dele, mas o Pai que está nele faz as obras. Isso sugere que as palavras
de Jesus têm poder de realização (como no Gênesis, onde Deus fala e as coisas
passam a existir). O ensinamento de Jesus não é apenas teoria; é uma força
transformadora que muda a realidade.
Jesus oferece "dois
níveis" de fé. O ideal é crer pela Sua Palavra (pela autoridade de quem
Ele é).
No entanto, conhecendo a
limitação humana, Ele oferece as Obras (os milagres, as curas, a ressurreição)
como uma evidência secundária para aqueles que ainda estão lutando para
processar a profundidade da Sua divindade.
As obras servem como um
"andaime" para ajudar a construir a fé até que ela possa se sustentar
na confiança direta em Sua pessoa.
Conclusão: Se
Jesus é o Caminho, a Verdade, a Vida e a própria face do Pai, Ele é suficiente.
Não há necessidade de sistemas complementares, filosofias adicionais ou
mediadores extras. Ele não é um dos muitos caminhos, mas a própria porta de
entrada para a realidade eterna. A unidade entre o Pai e o Filho, selada pelas
palavras e obras de Jesus, exige de nós mais do que um assentimento
intelectual; exige uma entrega. A
salvação é um ato de graça (a corda foi lançada); mas requer uma decisão
(segurar a corda).
O texto de João 14 nos move da
confusão (Tomé) e da insatisfação (Filipe) para a certeza de que, ao olharmos
para Jesus, encontramos tudo o que precisamos saber sobre Deus e tudo o que
precisamos ser para Ele. Jesus não veio apenas para nos mostrar o caminho; Ele
veio para ser o nosso lar.
Pastor Adilson Guilhermel
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