Lição 5: CRISTO ENTRE OS FILÓSOFOS: O DEUS DESCONHECIDO SE REVELA.
Texto Áureo: “Mas Deus, não tendo em conta os
tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se
arrependam.” (At 17.30).
Leitura Bíblica em Classe: Atos 17.15-20,30-32.
Introdução: O capítulo 17 de Atos apresenta um dos discursos mais profundos e
intelectualmente desafiadores do apóstolo Paulo. Se em Filipos ele enfrentou a
perseguição, em Tessalônica a oposição religiosa e em Bereia a investigação das
Escrituras, em Atenas ele confronta o orgulho da sabedoria humana e a idolatria
cultural.>>>
Atenas era considerada o centro mundial da
filosofia, da arte, da literatura e da religião. Sua glória intelectual,
entretanto, escondia uma terrível pobreza espiritual. A cidade estava repleta
de templos, estátuas e altares, mas vazia do conhecimento do Deus verdadeiro.
Lucas descreve que Paulo não ficou
impressionado com a beleza arquitetônica nem intimidado pela fama dos
filósofos. Seu coração foi profundamente perturbado pela idolatria.
Esse texto ensina que o verdadeiro servo de
Deus não se adapta ao pecado da cultura; ele ama as pessoas, mas confronta os
ídolos que as escravizam.
1. O ZELO DE PAULO FOI DESPERTADO PELA IDOLATRIA
Atos 17.15 — E os que acompanhavam Paulo o levaram
até Atenas e, recebendo ordem para que Silas e Timóteo fossem ter com ele o
mais depressa possível, partiram. Atos 17.16 — E, enquanto Paulo os esperava em
Atenas, o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à
idolatria.
"Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o
seu espírito se revoltava em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à
idolatria."
A expressão grega παρωξύνετο (paroxyneto)
significa: provocar profundamente; ser agitado interiormente; sentir intensa
indignação; experimentar dor espiritual.
Não se trata de uma explosão emocional
descontrolada. É o mesmo tipo de zelo santo atribuído ao próprio Deus quando vê
Seu povo substituindo Sua glória pelos ídolos (Êxodo 20.5).
Paulo não ficou indignado contra as pessoas. Seu
sofrimento era causado porque via homens criados à imagem de Deus adorando
aquilo que suas próprias mãos haviam produzido. Atenas possuía milhares de
imagens. Dizia-se que era mais fácil encontrar um deus do que um homem naquela
cidade.
Sua beleza escondia sua decadência espiritual.
Hoje a idolatria mudou de forma, mas não de
essência.
Os ídolos modernos incluem: dinheiro; sucesso;
prazer; fama; ciência sem Deus;
tecnologia; entretenimento; ego.
Sempre que alguma coisa ocupa o lugar de Deus,
transforma-se em idolatria.
O servo de Cristo deve sentir tristeza pela
perdição do mundo e não admiração por sua rebelião.
2. PAULO PREGAVA EM QUALQUER LUGAR
Atos 17.17 — De sorte que disputava na sinagoga com
os judeus e religiosos e, todos os dias, na praça, com os que se apresentavam.
"Disputava, pois, na sinagoga com os
judeus... e todos os dias na praça."
Observe dois ambientes: Na sinagoga - Ali
estavam os religiosos.
Na praça (Ágora)
Era o centro da vida pública.
Ali aconteciam: comércio; debates; política; filosofia;
encontros sociais.
Paulo não limitava sua missão ao templo.
Onde havia pessoas, havia oportunidade para
anunciar Cristo.
Sua vida era totalmente consumida pelo
Evangelho. Enquanto muitos esperariam Silas e Timóteo descansando, Paulo
transforma a espera em ministério.
Seu lema permanecia: "Uma coisa
faço..." (Fp 3.13)
Nada desviava sua missão.
A igreja não pode restringir o Evangelho ao
templo.
Nossa missão alcança: escolas; universidades; empresas;
hospitais; redes sociais; famílias; praças; ambientes intelectuais.
O Evangelho pertence ao mundo inteiro.
3. O EVANGELHO SEMPRE CONFRONTA A SABEDORIA HUMANA
Atos 17.18 — E alguns dos filósofos epicureus e
estoicos contendiam com ele. Uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E
outros: Parece que é pregador de deuses estranhos. Porque lhes anunciava a
Jesus e a ressurreição. Atos 17.19 — E, tomando-o, o levaram ao Areópago,
dizendo: Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas? Atos 17.20
— Pois coisas estranhas nos trazes aos ouvidos; queremos, pois, saber o que vem
a ser isso.
Os Epicureus
Fundados por Epicuro.
Seu pensamento afirmava: o prazer era o bem
supremo; os deuses não interferiam na vida humana; não existia juízo futuro;
buscava-se evitar sofrimento.
Era um materialismo refinado.
Os Estóicos
Fundados por Zenão.
Ensinavam:
domínio absoluto das emoções; resignação diante
do destino; autossuficiência; o universo era governado pela razão. Buscavam
virtude sem conhecer a graça.
Quando Paulo anuncia: Jesus; a cruz; a ressurreição.
Os filósofos dizem:
"Que quer dizer este paroleiro?"
No grego: σπερμολόγος (spermológos)
Literalmente: "catador de sementes."
Era uma expressão depreciativa.
Significava alguém que recolhia ideias soltas
sem possuir verdadeiro conhecimento. Ironia maravilhosa.
Os homens que julgavam Paulo ignorante estavam
ouvindo o homem mais preparado espiritualmente daquela geração.
O conhecimento humano jamais substituirá a
revelação divina. A verdadeira sabedoria começa quando o homem teme ao Senhor. A
cruz continua sendo loucura para os que perecem.
Paulo observa cuidadosamente a cidade.
Ele encontra um altar com a inscrição:
"AO DEUS DESCONHECIDO."
Em vez de atacar imediatamente a religião
ateniense, ele parte de algo conhecido por seus ouvintes.
Este é um princípio importante da comunicação
bíblica. O pregador começa onde as pessoas estão para levá-las onde Deus
deseja.
Ele utiliza: um altar; a religiosidade
deles; até mesmo poetas gregos.
Mas nunca adapta a mensagem.
Ele adapta apenas a forma.
A igreja deve aprender a dialogar com sua
geração.
Podemos utilizar: cultura; tecnologia; arte;
ciência; história.
Nunca para alterar o Evangelho. Mas para
conduzir as pessoas até Cristo. Métodos mudam. A mensagem permanece imutável.
4. DEUS CHAMA TODOS AO
ARREPENDIMENTO
Atos 17.30 — Mas Deus, não tendo em conta os tempos
da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se
arrependam,
"Não tendo em conta" Não significa
que Deus aprovava a idolatria. Significa que, em Sua longanimidade, suportou os
tempos de ignorância sem executar imediatamente o juízo definitivo (Rm
3.25-26).
Com a plena revelação em Cristo, a
responsabilidade humana torna-se ainda mais evidente.
Agora o chamado é universal: "a todos os
homens, em todo lugar". A salvação não está restrita a Israel, mas alcança
todas as nações.
A palavra grega μετανοεῖν (metanoein) significa: mudar a mente; mudar a direção; abandonar o
pecado; voltar-se para Deus.
O arrependimento envolve intelecto, emoções e
vontade. Não é mero remorso, mas uma mudança produzida pela graça, que conduz à
fé em Cristo e a uma nova maneira de viver.
O Evangelho continua proclamando a mesma
mensagem. Não basta admirar Jesus. É necessário arrepender-se. O arrependimento
continua sendo a porta de entrada para a vida eterna.
5. A RESSURREIÇÃO É A
PROVA DO JUÍZO FUTURO
Atos 17.31 — porquanto tem determinado um dia em
que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso
deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos.
A ressurreição de Cristo é apresentada como a
garantia de que Deus estabeleceu um dia para julgar o mundo com justiça.
Aquele que morreu é o mesmo que ressuscitou,
ascendeu aos céus e voltará como Juiz. A cruz revela a misericórdia de Deus; a
ressurreição confirma Sua vitória; o juízo manifesta Sua justiça.
Sem a ressurreição, a fé cristã seria vã (1Co
15.14). Com ela, há certeza de salvação para os que creem e certeza de juízo para
os que rejeitam o Evangelho.
Vivemos numa geração que evita falar sobre
julgamento. Entretanto, o amor de Deus não elimina Sua justiça.
Cristo é hoje Salvador. Mas um dia será Juiz.
6. O EVANGELHO SEMPRE PRODUZ REAÇÕES DIFERENTES.
Atos 17.32 — E, como ouviram falar da ressurreição
dos mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos outra
vez.
Ao ouvirem sobre a ressurreição, três reações surgem:
1.
Alguns zombaram
A incredulidade endurece o coração e despreza a mensagem da
cruz.
2.
Outros adiaram a decisão
"Sobre isso te ouviremos outra vez."
A procrastinação espiritual é uma forma de rejeição. Quem adia o
arrependimento não sabe se terá nova oportunidade.
3.
Alguns creram
Embora poucos, houve conversões, como Dionísio e Dâmaris (At
17.34), mostrando que a Palavra de Deus nunca volta vazia. O pregador não mede
seu sucesso pelo número de ouvintes, mas pela fidelidade à mensagem.
Ainda hoje existem essas três respostas: os que rejeitam; os que
adiam; os que crêem.
Nossa responsabilidade é anunciar com fidelidade; a obra de
convencer pertence ao Espírito Santo.
Conclusão:
Atenas representava o auge da inteligência, da
filosofia e da cultura humana. Contudo, em meio a templos magníficos e
discursos eloquentes, permanecia espiritualmente cega. Paulo não se deixou
seduzir pelo brilho daquela civilização nem intimidar por seus pensadores. Seu
coração foi consumido pelo zelo de Deus, e sua mensagem permaneceu a mesma:
Jesus Cristo crucificado e ressuscitado.
Este episódio ensina que a Igreja deve conhecer a cultura em que
vive, dialogar com ela de forma sábia e amorosa, mas jamais negociar a verdade
do Evangelho. O mundo continua erguendo novos ídolos, confiando na razão humana
e adiando o arrependimento; porém, a resposta divina permanece imutável: Deus
chama todos os homens, em todo lugar, ao arrependimento, porque estabeleceu um
dia em que julgará o mundo por meio de Seu Filho ressuscitado.
Que, à semelhança de Paulo, sejamos movidos por um santo zelo,
anunciando a Cristo com coragem, fidelidade e dependência do Espírito Santo,
certos de que somente o Evangelho tem poder para derrubar os ídolos do coração
humano e conduzir homens e mulheres ao conhecimento do único Deus vivo e
verdadeiro.
Pastor
Adilson Guilhermel
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