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LIÇÃO 08 - DESPEDIDA EM ÉFESO: ENTRE LÁGRIMAS E ALERTAS

 


LIÇÃO 08 - DESPEDIDA EM ÉFESO: ENTRE LÁGRIMAS E ALERTAS

TEXTO ÁUREO: “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com o seu próprio sangue.” (At 20.28).

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 20.17-25,36-38.

 

INTRODUÇÃO

Paulo está encerrando uma etapa muito importante de seu ministério. O navio precisava parar em Mileto, e Paulo aproveitou a oportunidade para chamar os presbíteros da igreja de Éfeso. Ele poderia simplesmente ter mandado uma mensagem de despedida. Mas não. Queria olhar nos olhos daqueles homens que haviam caminhado com ele. Essa despedida é emocionante porque Paulo sabia que provavelmente não os veria novamente. >>>

Não encontramos aqui um homem preocupado em preservar sua imagem. Encontramos um servo que pode dizer:

“Vós bem sabeis, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós.”

Paulo tinha consciência de que sua vida e seu ministério estavam diante de Deus.

A grande pergunta do texto é: Que tipo de legado deixaremos quando chegar o momento de partir?

1. UM MINISTÉRIO MARCADO PELA HUMILDADE

Atos 20.19

“Servindo ao Senhor com toda a humildade, e com muitas lágrimas e tentações...”

Paulo começa falando de como serviu.

Ele não diz: “Servi ao Senhor com grandeza pessoal”.

Ele diz: “Com toda a humildade.”

A humildade de Paulo: Paulo era um grande apóstolo, mas não permitiu que sua posição o colocasse acima das pessoas. A verdadeira autoridade espiritual nunca elimina a humildade. Quanto maior a responsabilidade que Deus nos confia, maior deve ser nossa consciência de dependência dele.

Na igreja, precisamos compreender que: liderança não é domínio; ministério não é status; púlpito não é palco; autoridade espiritual não é autoritarismo; servir a Deus é servir pessoas.

Jesus ensinou: “Qualquer que entre vós quiser ser grande será vosso serviçal.” Mateus 20.26

Quem não aprendeu a servir ainda não entendeu o verdadeiro significado do ministério.

2. UM MINISTÉRIO MARCADO POR LÁGRIMAS

Paulo menciona suas lágrimas; e isso é muito significativo. Um ministério verdadeiro não é feito somente de púlpito, microfone e aplausos. Existem lágrimas que ninguém vê.

2.1 Lágrimas de sofrimento: Paulo enfrentou oposição, perseguição e dificuldades. Atos 20.19

“...com muitas lágrimas e tentações, que pelas ciladas dos judeus me sobrevieram.”

Ele sofreu porque estava fazendo a vontade de Deus.

Isso destrói uma ideia equivocada de que estar na vontade de Deus significa viver sem problemas. A vontade de Deus não nos isenta das lutas; ela nos dá graça para atravessá-las.

2.2 Lágrimas de preocupação pastoral

Paulo não chorava somente por causa de seus próprios problemas. Ele chorava por causa das pessoas.

Um verdadeiro pastor não pergunta apenas: “Quantas pessoas estão vindo?”

Ele pergunta: “Como estão as pessoas que Deus colocou sob meus cuidados?”

Paulo carregava pessoas no coração.

Há pessoas que precisam de alguém que ore por elas.

Há pessoas que precisam ser visitadas.

Há pessoas que precisam ouvir: “Eu estou orando por você.”

A igreja precisa recuperar o ministério da compaixão.

2.3 Lágrimas de afeição

No final do texto, quando Paulo se despede, todos choram. Atos 20.37 “E levantou-se um grande pranto entre todos...”

Não eram lágrimas de mera formalidade. Eram lágrimas de amor. Paulo não deixou apenas discípulos; deixou pessoas que o amavam. Isso é um grande legado ministerial.

3. UM MINISTÉRIO QUE NÃO ESCONDEU NADA

Atos 20.20 “Como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar e ensinar publicamente e pelas casas.”

Aqui encontramos duas dimensões do ministério de Paulo: Publicamente e pelas casas. Paulo pregava para multidões, mas também ministrava individualmente. Ele não era apenas pregador de púlpito. Era também pastor de pessoas. “Pelas casas”

Isso revela proximidade.

O ministério cristão não acontece apenas dentro do templo.

Ele acontece: nas casas; nas conversas; nas orações;

nas visitas; nos momentos de crise; junto aos necessitados.

Precisamos tomar cuidado para que a igreja não se transforme apenas em um lugar onde as pessoas assistem a cultos. Igreja é relacionamento, cuidado, comunhão e serviço.

E aqui encontramos uma aplicação muito importante para o ministério virtual: mesmo quando não podemos estar fisicamente na casa das pessoas, podemos entrar espiritualmente em seus lares por meio da Palavra, da oração, da mensagem e do cuidado pastoral.

4. UM MINISTÉRIO QUE NÃO “RECOLHEU AS VELAS”

Atos 20.20

A expressão relacionada a “nada deixar de anunciar” transmite a ideia de não recuar, não esconder, não diminuir a mensagem. A imagem náutica é muito apropriada. Paulo não “recolheu as velas”. Ele continuou avançando.  Não deixou de anunciar aquilo que era necessário. Isso significa que Paulo não adaptou o evangelho para agradar as pessoas.

Ele pregou: arrependimento; fé; salvação; santidade; graça; o senhorio de Cristo.

A igreja não pode recolher as velas diante da pressão do mundo. Não podemos abandonar a verdade para ganhar popularidade. Não podemos trocar a mensagem da cruz por uma mensagem simplesmente agradável. O evangelho precisa continuar sendo anunciado em sua plenitude.

5. UM MINISTÉRIO CENTRALIZADO NO ARREPENDIMENTO E NA FÉ

Atos 20.21

“Testificando, tanto aos judeus como aos gregos, o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo.”

Observe os dois elementos:

1. Arrependimento para com Deus

O evangelho confronta o pecado.

O pecador precisa reconhecer sua condição e voltar-se para Deus.

2. Fé em Jesus Cristo

Não basta reconhecer o pecado. É necessário confiar em Cristo. Arrependimento nos tira do caminho errado; fé em Cristo nos coloca no caminho da salvação.

Uma pregação verdadeiramente bíblica precisa conduzir pessoas a Cristo; não basta produzir emoção; não basta produzir lágrimas; não basta produzir entusiasmo.

Precisamos levar pessoas: ao arrependimento e à fé.

6. UM MINISTÉRIO QUE COLOCOU A VONTADE DE DEUS ACIMA DO CONFORTO

Atos 20.22-23

“E agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer, senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela...”

Paulo sabia que havia sofrimento esperando por ele.

Mas continuou caminhando.  Ele não sabia todos os detalhes do futuro, mas sabia quem estava conduzindo sua vida.

Não precisamos conhecer todos os detalhes do amanhã para obedecer a Deus hoje.

Paulo não tinha o mapa completo. Tinha apenas a direção do Espírito.

Muitas vezes perguntamos: “Senhor, o que vai acontecer?”

Deus pode responder: “Confie em mim e continue caminhando.” Fé não significa saber tudo. Fé significa confiar naquele que sabe tudo.

7. UM MINISTÉRIO QUE NÃO CONSIDERAVA A VIDA MAIS IMPORTANTE QUE A MISSÃO

Atos 20.24

“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus...”

Paulo não estava dizendo que a vida não tinha valor.

Ele estava dizendo que a missão de Cristo era mais importante do que o conforto pessoal. Ele queria terminar sua carreira. “Minha carreira”

Paulo enxergava sua vida como uma corrida que precisava ser concluída. Não bastava começar bem. Era necessário terminar bem.

Há pessoas que começaram com fogo, mas terminaram frias.

Começaram servindo, mas terminaram desanimadas.

Começaram humildes, mas terminaram buscando reconhecimento.

Paulo nos ensina: Comece com Cristo, caminhe com Cristo e termine com Cristo.

8. UM MINISTÉRIO GOVERNADO PELA GRAÇA

Atos 20.24

Paulo fala da missão que recebeu do Senhor Jesus: “...para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.”

Observe: Evangelho da graça.

Paulo nunca esqueceu que tudo o que era e tudo o que fazia dependia da graça. Ele havia sido perseguidor da igreja. Mas Cristo o transformou em pregador.

A graça é o favor de Deus concedido a quem não poderia merecê-lo. Quanto mais conhecemos nossa própria indignidade, mais valorizamos a graça. Por isso Paulo podia falar tanto sobre ela.

Não estamos de pé porque somos fortes. Estamos de pé porque a graça nos sustentou. Não chegamos até aqui porque merecemos. Chegamos porque Deus foi misericordioso. Se ainda estamos caminhando, é porque a graça de Deus ainda está nos sustentando.

9. UM MINISTÉRIO QUE NÃO SABIA O QUE O FUTURO RESERVAVA

Atos 20.25

“E agora, na verdade, sei que todos vós... não vereis mais o meu rosto.”

Imagine a emoção desse momento. Paulo sabia que aquela poderia ser a última vez que aqueles irmãos veriam seu rosto. Ele não sabia exatamente tudo o que aconteceria. Mas sabia que Deus estava no controle.

Nós também não sabemos o que acontecerá amanhã.

Não sabemos quantos anos ainda teremos.

Não sabemos quais portas Deus abrirá.

Não sabemos quais lutas enfrentaremos.

Mas podemos dizer: “Senhor, enquanto eu tiver oportunidade, quero ser fiel.”

O importante não é saber quanto tempo temos.

É saber o que estamos fazendo com o tempo que Deus nos deu.

10. A IGREJA PERTENCE A DEUS

Atos 20.28

“Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho... para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.”

Essa declaração é profundamente cristológica.

A igreja pertence a Deus.

Ela não pertence ao pastor.

Não pertence ao líder.

Não pertence a uma denominação.

A igreja é de Cristo.

E Paulo diz que ela foi adquirida pelo sangue.

Isso deve produzir em nós: temor; responsabilidade;

amor; cuidado; reverência.

Quem cuida da igreja precisa lembrar: Estamos cuidando de pessoas que custaram o sangue de Cristo.

Por isso não podemos tratar o rebanho de qualquer maneira.

11. UM MINISTÉRIO QUE PREPARA A IGREJA PARA OS PERIGOS

Atos 20.29-30

Paulo alerta: “Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis...”

Paulo estava indo embora, mas queria deixar a igreja preparada. Ele sabia que depois da sua partida surgiriam falsos mestres.

Uma boa liderança não cria pessoas dependentes do líder. Ela prepara pessoas para permanecerem firmes quando o líder não estiver presente.

Precisamos ensinar a igreja a conhecer: a Palavra, Cristo e a sã doutrina.

A igreja madura não vive apenas de experiências. Ela conhece a Palavra de Deus.

12. PAULO CONFIA O FUTURO DA OBRA A DEUS

Atos 20.32

“Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça...”

Que expressão maravilhosa:“Encomendo-vos a Deus.” Paulo estava partindo. Mas não estava desesperado.

Porque sabia que a igreja continuaria nas mãos de Deus. O construtor foi embora, mas o Dono da obra permaneceu.

Paulo não concluiu tudo. Nenhum homem conclui tudo. Nós plantamos. Outros regam. Outros continuam.

Mas: Deus dá o crescimento.

Precisamos aprender a entregar a Deus aquilo que fizemos para Deus.

Há momentos em que precisamos dizer: “Senhor, eu fiz minha parte. Agora, continuo confiando em Ti.”

A obra não depende de uma única pessoa. A obra pertence ao Senhor.

13. PAULO NÃO SERVIU POR GANÂNCIA

Atos 20.33-35

Paulo lembra: “De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestido.”

E acrescenta que trabalhou com suas próprias mãos.

Seu ministério não era movido pela ganância. Ele podia afirmar que não estava atrás do dinheiro das pessoas.

O ministério cristão precisa preservar sua integridade.

O dinheiro nunca pode ser o centro da missão. Jesus é o centro. O evangelho é o centro. As pessoas são importantes. A glória pertence a Deus.

14. A BEM-AVENTURANÇA DO DAR

Atos 20.35

Paulo recorda uma palavra do Senhor Jesus: “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.”

Essa palavra não aparece nos Evangelhos como uma citação direta, sendo preservada aqui no discurso de Paulo. É uma declaração profundamente coerente com todo o ensino de Cristo.

O mundo diz: “Quanto vou receber?”

Jesus ensina: “Quanto posso dar?”

Dar não significa apenas dinheiro.

Podemos dar: tempo; atenção; oração; carinho; conhecimento; alimento; ajuda; encorajamento; perdão.

Uma igreja saudável não pergunta apenas o que pode receber de Deus, mas também o que pode oferecer ao próximo.

15. UMA DESPEDIDA REGADA POR LÁGRIMAS

Atos 20.36-37

“E, havendo dito isto, pôs-se de joelhos, e orou com todos eles.”

Paulo não terminou exaltando a si mesmo. Terminou orando. Essa é uma das marcas de um verdadeiro servo.

Quando as palavras terminam: a oração continua.

E então: “E levantou-se um grande pranto entre todos...”

Eles abraçaram Paulo. Eles choraram. Eles o acompanharam.

Por que choraram? Porque havia amor.

O ministério de Paulo havia deixado marcas no coração das pessoas.

O maior legado de um pastor não é um prédio; são vidas transformadas pela Palavra de Deus.

16. A DESPEDIDA NÃO ERA O FIM DA OBRA

Atos 20.38

“...principalmente pela palavra que tinha dito, que não veriam mais o seu rosto. E acompanharam-no até o navio.”

Paulo entrou no navio. Aquele momento terminou. Mas a obra não terminou.

Ele partiu. Eles ficaram. Mas Deus continuou trabalhando.

Essa é uma das maiores lições do texto.

Pode chegar o momento em que precisaremos deixar alguma posição. Pode chegar o momento em que outro assumirá aquilo que fazemos. Pode chegar o momento em que nosso ministério terá uma nova fase.

E precisamos ter a mesma confiança de Paulo: “A obra não é minha. A obra é de Deus.”

 

CONCLUSÃO — O QUE DEIXAREMOS QUANDO PARTIRMOS?

Atos 20 nos coloca diante de uma pergunta muito séria: Se hoje fosse nossa despedida, o que as pessoas diriam sobre nosso ministério?

Paulo deixou:

1. Um exemplo de humildade.

“Servindo ao Senhor com toda a humildade.”

2. Um exemplo de perseverança. Não recuou diante das dificuldades.

3. Um exemplo de fidelidade à Palavra. “Não deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus.”

4. Um exemplo de amor pelas pessoas. Suas lágrimas revelavam seu coração pastoral.

5. Um exemplo de coragem. Estava disposto a enfrentar sofrimento para cumprir sua missão.

6. Um exemplo de desprendimento. Não colocou bens materiais acima do chamado.

7. Um exemplo de dependência da graça. Encomendou a igreja a Deus e à Palavra da sua graça.

8. Um exemplo de perseverança até o fim. Queria cumprir sua carreira e o ministério recebido do Senhor Jesus.

E essa é a grande mensagem: O servo pode partir, mas a obra continua.

O pregador pode desaparecer, mas a Palavra permanece. O construtor pode sair de cena, mas Deus continua edificando.

As lágrimas podem marcar uma despedida, mas a graça de Deus garante a continuidade da obra.

Irmãos, não sabemos quanto tempo ainda temos, mas sabemos quem nos chamou! Não sabemos quantas batalhas ainda enfrentaremos, mas sabemos quem estará conosco! Não sabemos quando chegará nossa última despedida, mas podemos viver de tal maneira que, quando chegar a hora, possamos dizer:

“Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé!” (2 Timóteo 4.7)

Que Deus nos ajude a não apenas começar bem, mas terminar bem.

Que nossa família possa dizer: “Ele foi fiel.”

Que a igreja possa dizer: “Ele amou o rebanho.”

Que os discípulos possam dizer: “Ele nos ensinou a Palavra.”

E, acima de tudo, que o Senhor possa dizer: “Bem está, servo bom e fiel.”

Porque no final da nossa caminhada, o que realmente importará não será o tamanho daquilo que construímos, mas a fidelidade com que servimos ao Senhor.

 

Pastor Adilson Guilhermel

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